De Brasília
A chegada ao Congresso Nacional neste ano de parlamentares que, na teoria, representariam a “nova política” tem gerado exageros e mentiras quando se pretende anunciar à sociedade dados e informações sobre o volume de recursos economizados.
O MS em Brasília fez levantamentos nas redes sociais de alguns deputados federais, encontrou várias informações equivocadas – para não dizer mal-intencionadas – e viu “prestações de contas” infladas com despesas inexistentes.
Duas prestações de contas, em especial, chamou a atenção do MS em Brasília: as dos deputados Loester Trutis (PSL-MS) e Kim Kataguiri (DEM-SP). De Mato Grosso do Sul, apenas Trutis divulgou o que teria sido economizado em benefícios da Câmara.
O peselista usou as redes sociais, durante o ano, para anunciar várias ações, especialmente sobre a suposta economia de verba. Durante esse período, o deputado reclamou de perseguição da mídia, segundo ele, pelo fato de ele não pagar pela divulgação das suas atividades.
Trutis afirmou que “dispensou carro oficial e motorista”, mesma informação prestada pelo representante de São Paulo, ligado ao MBL (Movimento Brasil Livre). No entanto, a Casa nunca ofereceu veículo nem motorista aos 513 deputados. A economia com esses itens, portanto, é falsa.

Kim também destacou economia em relação a sua segurança pessoal, assim como Trutis. Informação falsa porque a Câmara nunca disponibilizou esse tipo de serviço aos 513 parlamentares, exceção no plenário e nos auditórios das comissões, onde há a presença de seguranças para o conjunto dos parlamentares.

Mais inverdades
Em um vídeo publicado em 24 de setembro, Trutis também destacou que não utiliza os cargos disponíveis a ele por ser presidente de frente parlamentar. Mentiu novamente. As frentes parlamentares são “associações de deputados de vários partidos para debater temas específicos”.
Os presidentes dessas frentes não têm direito a nomear servidores comissionados, como informado pelo deputado sul-mato-grossense, como o CNE (Cargo de Natureza Especial). O objetivo desses grupos é fazer trabalho paralelo ao exercício do mandato popular, sem utilizar recursos da Casa.
Trutis também divulgou que “economizou” R$ 30 mil em auxílio-moradia. Não é verdade. O deputado só se esqueceu de dizer que esse benefício só é pago a quem não utiliza imóvel da Câmara, o que não é o caso dele. De acordo com o site da Casa, o parlamentar utiliza imóvel funcional desde 26 de fevereiro de 2019.

De 1º de fevereiro a 25 de fevereiro, Trutis recebeu R$ 3.402,41 em auxílio-moradia. Ele só deixou de receber o benefício a partir do dia 26 de fevereiro, quando passou a morar em apartamento funcional. Kim Kataguiri, no entanto, não utiliza nem o auxílio-moradia nem o imóvel funcional, também confirmado por este site.
Informações corretas
Ao mesmo tempo, outros parlamentares, como a senadora Leila Barros (PSB) e a deputada Paula Belmonte (Cidadania), ambas do Distrito Federal, fizeram “prestação de contas” de maneira correta, verdadeiras, sem mencionar despesas inexistentes.
As duas não utilizaram nem um centavo da cota para exercício da atividade parlamentar, nem inflaram os valores economizados com gastos irreais, informação confirmada pelo MS em Brasília nos portais de transparência do Senado e da Câmara.