PAULO MARTINS (*)
Aposentar a camisa 10 é uma ideia sem sentido hoje. Fazia algum sentido quando as equipes jogavam com numeração fixa, de 1 a 11.
Assim, se não houvesse o 10, chamaria atenção para a razão da ausência, seria diferente dos outros clubes e talvez colaborasse para manter vivo o culto ao atleta que brilhou com aquele número de camisa.
Hoje é natural que equipes não tenham um 10 em campo, já que os números acompanham os jogadores, que podem estar na reserva ou nem isso.
Portanto, a exclusividade do número foi banalizada.

Hoje, quando um atleta do Santos entra em campo com a 10, o narrador diz: “ele veste a camisa que foi de Pelé”.
‘Sem a 10, em poucos dias nenhum narrador vai observar que o Santos não tem 10 por ter aposentado a camisa de Pelé. Como ela poderia estar no banco ou nem isso, será um não fato, uma não informação.
Ainda, quanto custará ao clube acabar com o sonho de milhares de jovens que sonham em chegar à Vila Belmiro e brilhar com a camisa do Rei?
Que a 10 seja mantida, que os sonhos dos meninos sejam possíveis, que a memória de Pelé seja sempre exaltada, que o encanto do Santos seja sempre fortalecido
A impossibilidade do sonho fará do Santos um destino tão sem charme quanto os outros clubes.
São apenas breves considerações, mas suficientes para deixar claro que aposentar a 10 será a mais eficiente ação para que Pelé SEJA esquecido e para que o Santos perca o encanto real e passe a ser um mero clube plebeu.
Que a 10 seja mantida, que os sonhos dos meninos sejam possíveis, que a memória de Pelé seja sempre exaltada, que o encanto do Santos seja sempre fortalecido.
(*) É jornalista, deputado federal e sócio do Santos Futebol Clube