COLUNA VAPT-VUPT (*)
Mais novo dos três irmãos políticos, o ex-deputado federal Fábio Trad recebeu convite para trocar o PSD pelo PT. A ideia seria colocá-lo na disputa pelo Governo do Estado. Em 2022, após perder a reeleição para deputado federal, anunciou voto em Lula e agora reforça apoio à reeleição do petista.
Para quem entende um pouco de política, a opção pelo PT é súbita, de 180 graus. Inversão de rota. Não de um jovem de 20 e poucos anos, mas de um senhor a caminho dos 56 anos de idade.
Os irmãos mais velhos — o senador Nelsinho Trad, do PSD, e o vereador Marquinhos Trad, do PDT — também trocaram de cores partidárias diversas vezes. Não se sabe por quanto tempo vão continuar nas atuais siglas. Haverá brechas com as fusões e as federações que se avizinham.
A família nunca teve apreço por qualquer partido político. Os Trad sempre usaram as agremiações para ser eleitos e não para fazer política, atividade digna quando feita com honestidade de propósito. Ir para o PT seria estranho para qualquer político de direita, menos, repita-se, para a um Trad. São camaleônicos. Adaptam-se às situações.
Os Trad sempre usaram as agremiações para ser eleitos e não para fazer política
Apesar de a família não fazer a mínima ideia, partidos políticos desempenham papel fundamental em um sistema democrático. Na democracia representativa, é impossível conceber o sistema funcionando sem partidos políticos. Não são meros instrumentos para eleição a cargo no Executivo e Legislativo.
Em Mato Grosso do Sul, há alguns exemplos de políticos que entendem o significado das agremiações partidárias. Atual secretário especial de Relações Institucionais e Políticas de Mato Grosso do Sul em Brasília, o ex-senador Waldemir Moka nunca trocou de partido. É filiado ao MDB há 47 anos, desde 1978.
“Há problemas em todos os partidos, uns mais, outros menos. Se há divergência, precisamos resolver internamente. Se trocarmos de lado a cada mal-estar, não vamos parar nunca”, costuma responder o ex-senador sobre trocar de legenda a cada crise no MDB.
Na democracia representativa, é impossível conceber o sistema funcionando sem partidos políticos
Não se tem notícia de que há outro político em atividade no Estado com filiação partidária única. Apesar de ter ajudado a fundar o PT em Mato Grosso do Sul em 1980, de onde nunca saiu, José Orcírio dos Santos, o Zeca, foi filiado à Arena nos anos de 1970 — sigla que dava sustentação político-partidária aos presidentes militares.
Os membros da família Trad são fenômenos na arte de trocar de lado. Levam nas costas várias siglas. Não fazem cerimônia quando ‘bate aquela vontade de mudança’, como lembrou no fim de semana “ex-professor universitário, metido a entender de política”, como se define.
Fábio Trad foi eleito deputado federal em 2018 com o voto da direita em Mato Grosso do Sul. Foram 89.385 votos, a segunda maior votação entre os eleitos. Em Brasília, passou a fazer oposição ao governo de Jair Bolsonaro, indiretamente o responsável por sua eleição.
Não se discutem os motivos que o levaram para o outro lado, mas cabe entender que o eleito, isoladamente, torna-se fraco, refém das próprias escolhas.
Fábio Trad foi eleito deputado federal em 2018 com o voto da direita em MS. Em Brasília, passou a fazer oposição ao governo de Jair Bolsonaro
Quatro anos depois, na tentativa de se reeleger em 2022, perdeu mais da metade dos votos. Teve 43.881 e amargou a segunda derrota em busca de renovar o mandato. Sinal de que, no seu caso, o problema está nele. Não com o partido. Não com o seu eleitor.
Lulista de ocasião, o ex-deputado tem a cara do petismo atual, apenas porque é opositor ferrenho do ex-presidente Jair Bolsonaro, além de funcionário do quinto escalão do governo Lula, cujas semelhanças param por aí.
A única verdade: é menos ruim estar em um partido do que sozinho, com ideias soltas, sem projeto, sem pensamento comum em torno de um grupo para ajudar, de fato, a elaborar políticas públicas à sociedade que representa. É principalmente para isso que existem as agremiações partidárias. Fica a dica.
(*) Vapt-Vupt é uma coluna do MS em Brasília com opiniões sobre determinado fato de interesse público