EDITORIAL
As contradições da ministra Simone Tebet, do Planejamento e Orçamento, reveladas em diversas declarações públicas, têm sido repercutidas nas redes sociais, em razão do comportamento político ambíguo da ex-senadora. Mais cedo ou mais tarde, contudo, ela terá que se explicar aos eleitores, caso se candidate a algum cargo em 2026.
Nos últimos dias, leitores encaminharam ao MS em Brasília diversos vídeos com declarações da ministra sobre o presidente Lula (ver quatro deles abaixo, em arquivo único). A reação das pessoas se deu em decorrência de opinião publicada pelo site sobre a incoerência da ex-senadora ao criticar o governo do qual ela faz parte, como se não tivesse responsabilidade alguma. Aliás, definição do colunista Carlos Andreazza, do Estadão (ver aqui).
Os vídeos com declarações da ex-senadora estão disponíveis na plataforma Youtube, cuja veracidade pode ser comprovada por qualquer leitor/eleitor, caso queira fazer uso do material para confrontar a ministra sobre o que ela pensa a respeito de Lula, bem como sobre afagos feitos a ele.
Mais cedo ou mais tarde, Simone Tebet terá que se explicar aos eleitores, caso se candidate a algum cargo em 2026.
No primeiro vídeo, Simone Tebet acusa Lula de ter sido o “mentor”, o “orquestrador” dos escândalos de corrupção montados nas gestões do petista, entre 2005 e 2010, e na de Dilma Roussef (2011-2014). A então senadora estava, à época, em vias de lançar sua candidatura à presidência e não poupou seu futuro adversário, a quem atribuiu a responsabilidade pelo mensalão e petrolão — esse último apontado como o maior esquema de desvio de dinheiro do mundo.
No segundo vídeo, a ministra dá entrevista sobre qual seria seu comportamento em um possível segundo turno entre Lula e Bolsonaro, cuja disputa estava se desenhando em 2022. Nele, Tebet diz que o PT não a procurou porque — diz ela — saberia a resposta. Mais: que ela e sua vice, a senadora Mara Gabrilli (PSD), não estavam na disputa para barganhar cargos, o que se revelou mentiroso mais adiante.
O acordo que a então senadora negara em entrevista a veículos da imprensa, no segundo vídeo, repita-se, como a troca do seu apoio a Lula por um ministério, ocorreu uma semana depois de iniciado o segundo turno. Ela viria a ocupar, em 2023, o cargo de ministra do Planejamento e Orçamento, após ter recusado outras pastas, como a da Mulher e a do Meio Ambiente. O terceiro vídeo mostra a ex-senadora sendo empossada no cargo por Lula.
Simone Tebet acusa Lula de ter sido o “mentor” dos escândalos de corrupção nas gestões do petista, entre 2005 e 2010, e na de Dilma Roussef (2011-2014)
O quarto vídeo mostra a ministra empolgada com o governo Lula, mesmo com os números apontando para crescente rombo fiscal, aumento da inflação e dos juros, elevação dos preços dos alimentos e corte de recursos para áreas e programas essenciais, como o Bolsa Família.
Dessa vez, a declaração se deu no seu estado, Mato Grosso do Sul, em 5 de dezembro do ano passado, durante inauguração de fábrica de celulose da Suzano em Ribas do Rio Pardo, distante 100 quilômetros de Campo Grande.
“Portanto, presidente, se precisar do Lula 4, o senhor vai ser eleito para ajudar Mato Grosso do Sul”, declarou a ministra. No entanto, três meses depois, ela afirmou à CNN Brasil que o próximo presidente, “seja lá quem for”, terá dificuldade para governar o país com o atual modelo fiscal, que ela, coincidentemente, ajudou a elaborar.
“Portanto, presidente, eu falo para Mato Grosso do Sul, se precisar do Lula 4, o senhor vai ser eleito para ajudar Mato Grosso do Sul” — Simone Tebet sobre Lula
Observadores entendem que Simone Tebet começará a enfrentar turbulência política a partir de 2026, quando terá que se decidir sobre o afastamento do cargo de ministra para disputar ou não cargo no Legislativo, se como deputada federal ou senadora. Mais: carregando, possivelmente, o fardo de um governo que chegará ao ano eleitoral estropiado.
E não é só: ela terá que amadurecer a decisão sobre onde disputar as eleições, se em Mato Grosso do Sul, onde é rejeitada pela maioria da população e dos partidos políticos, ou em São Paulo, cujo colégio eleitoral é menos intolerante a forasteiros, conforme mencionado pelo MS em Brasília dias atrás (ver aqui).